Já viram os malabaristas?
Tão hábeis são, tão subtis,
fazem-nos crer, os artistas,
que as coisas complicadas
são brinquedos de petiz.
Exímios no faz-de-conta,
nos saltos e piruetas,
na arte de viver com rede,
no palco, vezes sem conta,
mudam de traje e caretas
sempre que a ocasião pede.
São assim nossos mandantes.
Vivem num mundo fictício
a que chamam mundo novo,
onde o dinheiro e o ofício
cai, afinal, como dantes
num poço negro, sem fundo.
Cada vez que confrontados
com os seus próprios desmandos
nas contas, ou decisões,
dão um salto e, demarcados
do como, o porquê e o quando,
evitam as multidões.
Põe a careta de vítima
dos jornalistas, que adoram
e compram com um jantar.
Mostram a esposa legítima
Vão à televisão e choram
Para o povo acreditar.
Piruetam pelos partidos.
Juram servir devotados
quem der o melhor lugar.
Os ideais já vão idos!
Interessa, sim, bons aliados
para o dinheiro girar.
A rede é teia tecida
com cautela e habilidade
para os manter a voar.
Rede, tão torcida,
tecida com a impiedade
de quem não quer soçobrar.
Os intelectuais? Deus nos livre!
Gente do progresso avessa,
tão contra, tão desordeira.........
E não há quem os cative!
Eles pensam com a cabeça
em vez de ser com a carteira!...