Vivemos numa república
onde o povo é que manda,
aprendemos no liceu,
assim como a raíz cúbica
a vida da salamandra
e os órgãos do geniceu.
Mas daí à realidade
do prosaico dia a dia
Vvai um passo de gigante.
Temos reis em quantidade
que vivem da demagogia
dourados em metal sonante.
Se olharmos à nossa volta
bem fácil é descobrir
estes reis de papelão.
Andam numa viravolta,
atiram pedras e, a sorrir,
escondem no bolso a mão.
Roubam e depois justificam
ao pobre povo pagante
com argumentos de cordel
e ainda classificam,
quem os mantém, de ignorantes,
arraia do seu vergel.
Multiplicam-se dia a dia,
alternam-se na gamela
em cíclicos apogeus.
Provocam a letargia.
Já ninguém vai na balela
de tamanhos fariseus.
São reis com tronos fugazes,
que para os manter praticam
artes de jacobeu.
Alguns até são capazes!..
Mas um dia claudicam
e...foi um ar que lhes deu....